quinta-feira, 20 de maio de 2010

Mais um adeus.

[...]O amor é uma agonia

Vem de noite, vai de dia

É uma alegria e de repente

Uma vontade de chorar...
 
 
(Toquinho e Vinícius de Moraes) 

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Se não pode...

Soneto das Mil Palavras em Silêncio.

Me fiz besta perante você, porque quis
e me coloquei tão sereno frente ás
minhas vontades, que me contento
simplesmente em te ver.

No frio que sopra a espera
espero eu o cotidiano flerte
e a trêmula reação de um
corpo inquieto e silencioso.

Mudo e apenas observando, conto horas em minutos
tento acelerar o relógio e acreditar que seremos um
E o tempo inssiste em emperrar, eu e você.

As coincidências podem não ser coincidentes
mas valeu por tudo, até aqui, você já me marcou
Me contentarei feliz, em continuar te olhando , agora.

André Luiz Gomes Filho

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Da festa á tortuosidade amorosa.

Ele era o anfitrião da festa, fez sala aos seus e recebeu os recém chegados tão bem como em qualquer outra ocasião, naquele ano havia incluído ao seu círculo social mais três ou quatro amigos novos que por circunstância de trabalho ou estudo, cruzaram seu caminho e se resolveram por ficar.
Dentre os novatos, tão bem recebidos e unidos logo aos veteranos amigos do anfitrião, estava eu, cheguei manso, com meu jeito boa praça, fiz amizade com os amigos dele, em breve formaríamos o grupo dos cinco, aqueles cinco que se destacavam por andar ao lado e vivenciar as mesmas coisas que nosso querido anfitrião,este chama-se Giovani.
Giovani cuidou dos detalhes e deixou que o tempo consolidasse a inclusão dos novatos definitivamente ao rall dos seus, ao caminhar dos dias tudo havia se adequado, as moças já sorriam e se divertiam ás piadas e brincadeiras dos novos amigos dele quando Carolina, a vizinha do bloco adjacente ao de Giovani, me pareceu um tanto quanto mais accessível do que as demais amigas de meu amigo.
Assim que conversamos, Carolina mostrou-se comunicativa, não queria que o tempo passasse, que a festa acabasse e que o papo fosse findo, solicitamente uma vez que não hesitei em pedir, ela me passou seu endereço eletrônico, o qual passou a ser então o meu destinatário preferencial, das mais engraçadas e sujestivas mensagens.
Passavam-se os meses, o grupo dos cinco continuava ativo e a amizade com Giovani era intensa, tanto que um romance com Carolina começava, exatamente debaixo das barbas de Giovani, sem sequer que ele percebesse. Certa vez em conversa reservada com Lúcio, amigo de Giovani a mais longa data do que eu, este confissionou-me que Giovani tinha certo apreço por Carolina, e que Carolina em certo momento também demosntrara retorno ao sentimento aspirado por Giovani, decerto o que faltava aos dois era oportunidade, uma vez que o fato existia e estava apenas reservado para que em um dado momento virasse verdade.
Não me consternou a notícia, suspeitar ei que já suspeitava, tanto que de meus amigos, Giovani era o primeiro a quem eu evitava comentar sobre qualquer coisa que pudesse leva-lo a falar sobre Carolina comigo, apliquei ao ouvir de Lúcio tal confissão, a mais profunda frieza que me foi dada no advento de meu nascer, encarei com tal dureza que nem pedra seria capaz de não sentir absolutamente nada, nem dó, nem piedade, frente ao platonismo amoroso de seu mais nobre amigo por aquela com quem me envolvera recentemente.
Sem cessar as investidas, uma vez que o romantismo estava em curso, segui em frente e trouxe á tona um relacionamento fatídico com Carolina, o qual vi e saboriei ver Giovani celebrar como se dele fosse tal feito, passaram quase dois anos e o romance já era findo, no entanto Carolina ainda tinha recaídas e eu nunca fui de negar absolutamente nada, apesar de nada mais sentir por ela, não neguei á mesma a possiblidade de desfrutar de minha companhia quando da solidão em seu seio.
Passado quase um ano, Carolina me solicitou um encontro, não neguei, por lá trocamos alguns beijos, o que pra mim já não fazia diferença, passou a hora, acabou-se a noite, fui-me pra casa e de Carolina decidi não saber mais, assim feito, em menos de 4 meses me veio a notícia de um novo namorico torto e capenga de Carolina com Giovani.
O anfitrião que não era mais meu amigo, que a mim não dava mais festas, que como eu desmanchou-se dos cinco agrupados e que agora celebrava um romance torto numa circunstância torta, que só pode ser contado e contextualizado se eu estiver posto na história, realizou sua postergada vontade incontida, ficou com Carolina.
A exemplo de tudo o que eu já havia visto, ainda mais em termos da volatilidade amorosa das pessoas e da tortuosidade desse relacionamento enviesado, lançei-me uma única questão para qual ainda aguardo resposta:
Quanto tempo dura? Observemos...

sábado, 27 de março de 2010

As pessoas caminham pela praia ou a praia caminha pelas pessoas?

Quem nunca percebeu, os caminhos pelos quais o mar nos leva, os pontos para os quais ele nos conduz, como se quisesse mostrar-nos algo jamais visto ou apenas embaraçar nosso limitado horizonte, confundir nossas viciadas vistas.
Inevitavelmente, ao sentir que o mar nos levou, a reação é instantânea, sem que pensemos duas vezes ou que tentemos reparar no entorno do novo ponto para o qual o mar nos levou, levantamos, procuramos o nosso ponto referencial e retornamos para onde estávamos no princípio de tudo.
Ora pra esquerda, ora pra direita, o mar faz a praia percorrer nossos caminhos, desvendar nossos mais íntimos instintos e aguçar as mais particulares sensações, porém ainda vai mais longe quando tenta nos mostrar um novo horizonte, não simplesmente pra que tornemos ao nosso ponto inicial, mas para que observemos a nova paisagem por ele ofertada.
Tolos somos nós, de visão embaraçada pelo cotidiano, viciada pela rotina que não percebemos que com nossos pés não caminhamos por toda a praia, mas que através do mar, a praia nos percorre, apaixonadamente.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Lenine - É o Que Me Interessa.

Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem.
Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa.
Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o seu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa.
A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa.

Milimetricamente, viver.

Se é que me é permitido, vou me Governar por decreto e nas atribuições que me são conferidas, estabeleço que á partir de hoje quero:

Amar de esgotar
Rir de Chorar
Pular de cansar
Chorar de berrar
Ler de enjoar
Escrever até calejar

Estudar de gravar
Aprender pra ensinar
Me permitir, te aceitar
Reconhecer, perdoar
Sorrir sem cessar
Olhar o sol, iluminar

Acender, onde entrar
Resolver, se errar
Resistir, se fraquejar
Vencer sem frear
Fazer-lhe pensar

Esquecer, pra lembrar
Por você, esperar
Com você, festejar
Pra você, cantarolar
Viver, sem me censurar.

E para fins de validade, esta lei passa a vigorar á partir da data de sua publicação.