terça-feira, 19 de outubro de 2010

A menina Gabriela.

Sinceramente...
Ia demorar pra aquela conta ter resultado exato depois da igualdade, do outro lado só teria um par se ela encontrasse um detalhista como ela. Um detalhista que se importasse com as mínimas coisas e notasse nuances importantíssimas em fatos que para os brutos passariam banais, sempre.
Alí morava a inequação da sua vida amorosa: do outro lado o resultado era coração quebrado porque ninguém via na vida detalhes como ela via.
Rolava então o pranto, como numa inequação rolavam as repetitivas e desencorajadoras dízimas periódicas...

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Uma dose de nós dois.

A ânsia de vômito é a mesma, os fatos que me enjoam e me machucam são iguais e na verdade a distância me põe ainda mais de perto, de joelhos. Mas não quero saber disso, essa conta tá na minha mesa mesmo que meu copo esteja vazio, não encho o copo e nem pago-a, ignoro ambos e a mim.
Me importa se há quem encha teu copo, pague sua conta e te realize quando concluírem o caminho da tua casa? Nada tenho eu a ver com isso...
Eu me embriaguei da sobriedade que o copo vazio e a conta injustificada me impuseram depois da overdose de você.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Desprotegido

Eu já te imaginva a sentar-se de frente pra mim aos Sábados pra conversar e me ouvir, me falar e passar broncas que só quem protege pode dar. Eu só precisava de alguém que mesmo que não fosse, fingisse ao menos pra mim, ser mais forte que eu e dissesse que valho muito e que me ama.
E não era só ter, era merecer, eu precisva merecer o amor e a proteção que me desse pra viver em paz. Era uma força e uma proteção que costuma existir em todos os homens mas que veio faltando em mim e que eu teria de encontrar n'outro alguém. E então conclui que eu precisava de alguém que não atacasse minhas fraquezas, que não me condenasse a lutar, que apenas me protegesse. Quando aquela droga de pneu furou e tive que me virar, me senti como se não valesse nada, só queria correr pro teu abrigo, pros teus braços.
Meu desespero era tão grande que eu seria capaz de desabar de chorar se te visse, que eu seria capaz de te chamar mesmo sem saber teu nome. É uma proteção que eu não tenho como dar a ninguém e que não terei de qualquer um.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Um fundo branco com estampas coloridas e você outra vez.

Em outros tempos eu agradeceria a sua existência, o teu sorriso iluminado e a esperança que sem saber fez nascer em mim quando mais precisei.  
Veneraria a luminosidade que a sua passagem sempre ofertou aos meus olhos, por dias a fio mergulhados na escuridão, como hoje brilhou também. 
Eu diria a mim mesmo que você substituira, como no meu sonho latente, um amor imtempestivo que chegou, fez estragos e se foi, desejaria você.
Mas hoje agradeço nossa tão pequena e tão grande distância, o teu jeito, o que ganhei te olhando e te amando em silêncio, a esperança ainda viva.
Você é só um sonho, uma miragem real, um platonismo com mil vezes de zoom, a distância mais próxima que conheço, um querer ameno e pacífico.



"E se veste de um jeito que só ela
Ela vive entre o aqui e o alheio [...]
O que faz ela ser quase um segredo
É ser ela assim tão transparente"

Altruísmo dos Desiludidos

Fato é que eu rezei de joelhos só pra te dizer o quanto o amor foi bom, mas é que hoje me olho no espelho e aí não me esqueço da sofreguidão.
Me contorcia de pensar num jeito dessa agonia não viver mais não,até que um belo dia me virou as costas, pegou suas coisas e foi tudo em vão.
Correu pros braços e pra o descaso de quem te amou e depois te quis mais não e eu que aqui sofri calado, cortei um dobrado, fiquei na mão.
Mas não lamurio, não peço que volte e nem nada não, desejo que seja tão feliz que possa um dia lembrar-me com admiração.  

"Chorando se foi, quem um dia só te fez chorar..." 

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Singularmente Importante.

Vivia um aparente descompromisso com a urgência da vida, bagunçava com a imaginação alheia, que fazia da tua idade uma icógnita, ao mesmo tempo em que parecia não viver dramas aparentes, seu olhar era de curiosidade contida, natural e despretenciosa, pouco trêmulo, levemente fixo e pouco compenetrado.
Tinha um ritmo compassado particular e quase único de cruzar sempre o mesmo caminho, rumo ao mesmo lugar, sem receio algum de ser furacão na vida ou na imaginação de alguém. Parecia sempre pouco se importar com o resto, tinha um jeito próprio, um estilo singular e sob medida, uma nítida preferência ao se vestir, repetindo as roupas que quisesse sem se preocupar se sua passagem pudesse ser ou não amorosamente vigiada pelos olhares que sempre se apaixonam pela sua imagem a cada vez que a encontram.
As apostas dos olhares de seu admirador secreto e exposto ao mesmo tempo, observador quase declarado, pareciam nunca perturbar aquele universo particular que havia na sua mochila misteriosa, onde um pedaço de mundo com milhões de revelações de ti, dividiam espaço com o esclarecimento pessoal que aquela mente até então desconhecida devia guardar.
Te via ir, te via voltar, te via sair e te via voltar e as vezes te via ir de novo, reconhecia as roupas com as quais estava quando dentre as tantas vezes, estes olhos se apaixonaram, restando sempre então a espera, uma falsa esperança e a presente companhia da tua ausência.

domingo, 8 de agosto de 2010

Tem de haver um caminho

É um paradoxo, tão perto e tão longe ao mesmo tempo. Eu que saí a rua com pretexto de ver meus irmãos empinarem pipa mas querendo descobrir qual casa é a sua, ouvi tilintar um cadeado.
Desse cadeado que tilintou e acelerou meu mediano coração, olhei e vi um portão abrir, parecia contigo mas sei que não era, estava longe, porém sendo você ou não só notei a impaciência de alguém que também espera algo ao olhar pro horizonte e chuta o ar em protesto, olhei fixamente. Entrou, saiu várias vezes, olhava pra trás quando eu voltava pra onde estava e olhava pra minha direção quando eu avança, tilintando o cadeado.
Já de noite, o cadeado tilintou pela última vez e o portão se trancou. Peguei esse momento e resolvi entrar pensando: "Tem de haver um caminho" .