E se não sois apropriada realidade, por que ofereceis a mim - inóquo e proibido ser vivente destes fatos - tão tentadora e inexplicável oferta?
Se me queres afastado de tão pecaminosa realidade - para que resista firme ao que clama a traidora mente - por que me colocas tão a diante de tais veredas a mim vedadas?
E se fazes de mim padecedor da minha própria amarra - que em si mais liberta ou exige libertar do que prende - para que instiga tão aguçado sentido de saber encontrar no caminho da fuga o exato objeto do qual se foge?
Se me impõe esquecer o que jamais deveria ser lembrado - posto que por mim deveria ser sempre desconhecido - por que põe diante dos meus olhos e adjacente a minha rotina, tão impetuosa força que a mim sobressalta?
E se conheces a fraqueza dos meus olhos denuncistas - que revelam o que no profundo deveriam esconder - por que traz os olhos a mim proibidos de encontro aos meus fustigados e já tão vigiados olhos?
Então por fim, que ressalva me falta e a palavra já escassa não explica mais o exímio sentimento, por que faz da respiração e dos passos um sinal que imanta e aproxima como magnetismo? Por que fazes com que as duas faces se encontrem quando uma destas impedida busca fugir do que procura e encontra na fuga o fatídico objeto do qual se esconde?
Esclareças logo! Definitivamente!
O que queres de mim, Oh obscuro e sombrio, desafortunado destino?
Dedicado a discutir a vida no seu aspecto mais profundo e a contar relatos pessoais de um garoto reinventado pela mudança.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Anda que cai e levanta!
Agora é hora de descolar as folhas secas que se apegaram ao meu corpo com a queda desastrada destes pés cansados que recompostos se põe a andar, respirar fundo, olhar pra frente e seguir no passo do compasso que passeia frente aos meus olhos como o tempo que se dilui e vai embora.
Deixando pra trás o que passou somado a um pouco do constragimento da queda mas guardando o fervor que lhe era antes de cair e que mantem-se. Deixemos guardado e transformado em chama daquele que se levanta sem receio de seguir em frente e deixa a paisagem apagar o breve infortúnio derradeiro.
Dessa forma despede-se de quem quer e pode ficar e abre a porta pra quem chega e lhe quer chamar pra sair aos caminhos certos do novo ideal, extirpando a idéia suicida de lutar contra o mundo, vencer eventualmente a batalha e perder a vida. Sabendo que não só de poesia vive o poeta, vive ele de viver antes de tudo e de aprender mais que ensinar, sofrer pra poeta é carga de conteúdo, vale.
Portanto anda, cai, não te intimida!
Inverte o jogo, levanta a cara e viva!
Deixando pra trás o que passou somado a um pouco do constragimento da queda mas guardando o fervor que lhe era antes de cair e que mantem-se. Deixemos guardado e transformado em chama daquele que se levanta sem receio de seguir em frente e deixa a paisagem apagar o breve infortúnio derradeiro.
Dessa forma despede-se de quem quer e pode ficar e abre a porta pra quem chega e lhe quer chamar pra sair aos caminhos certos do novo ideal, extirpando a idéia suicida de lutar contra o mundo, vencer eventualmente a batalha e perder a vida. Sabendo que não só de poesia vive o poeta, vive ele de viver antes de tudo e de aprender mais que ensinar, sofrer pra poeta é carga de conteúdo, vale.
Portanto anda, cai, não te intimida!
Inverte o jogo, levanta a cara e viva!
domingo, 20 de junho de 2010
Aos Dezessete do Segundo Tempo.
Com 17 anos de idade parece que te viram de cabeça para baixo na intenção ver quais conceitos são sólidos e ficam e quais caem pra pôr outros no lugar. Com essa mesma idade surgem todas as perguntas que a pouca maturidade da infância não permitia-lhe fazer e que com o passar do tempo se não refletidas podem ficar sem respostas, aliás apenas com a resposta do "talvez", o que é pior.
Nesta idade não é raro procurar palavras que confortem a ausência de respostas, até porque não ser mais criança e ainda não ser completamente adulto não significa encontrar respostas mais rapidamente nem muito menos as respostas certas, filosofar nunca fará tanto sentido quando se completam 17 verões vividos.
Invariavelmente você vai olhar pro céu e querer saber quais são os mistérios guardados na coloração meio alaranjada, meio avermelhada, meio amarelada no azul azulado entre nuvens ao final da tarde, vai querer incessantemente descobrir onde tudo começa e onde tudo termina e se o início não é o fim e vice versa, logo você vai querer saber de onde as coisas vem e por consequência se vem de algum lugar o que as motiva a virem e portanto se vem, o que as trazem e as fazem existir, no fim você vai se perguntar sobre a criação e a existência de tudo.
Não raro você vai esbarrar na explicação de coisas que te ensinaram ao longo do tempo e que hoje te parecem incorretas, se tudo tem um começo, como já perguntou Chico Buarque, "quem inventou o analfabeto e ensinou o alfabeto ao professor?" e então você descobre que até hoje você só absorveu sem filtrar nada e que daqui pra frente você possui dezessete filtros, acumulados ao londe de dezesse anos, que vão lhe dar muito mais do que dezessete motivos para descartar muitas coisas, aceitar outras tantas e repensar mais algumas.
Aos 17 do segundo tempo também haverá de descobrir as próprias "descobertas", há de encontrar uma coisa complicada denominada "escolha". A vida te colocará numa nau que só depende de você, te fará navegar dentro de si mesmo, mostrando aquilo que não conhecia e que agora tem que conhecer, aquilo que sabia mas preferia inconscientemente esconder e que agora vai pra prateleira dos artigos importantes, pra sala das escolhas, onde você será acareado com um complicador chamado vulgarmente de "vontade", além do mais, o tempo inteiro enquanto a nau navega, sinais de fora serão lançados sobre ela feito ondas, dizendo exatamente o inverso do que naquele momento você descobre, o mundo lá fora continua quadrado, mas dentro de você muita coisa muda.
Com dezessete ciclos completos, as respostas se invertem, a urgência das perguntas se atenuam e as respostas podem ser mais complexas do que se pensava, no caminho ainda há o amor que esbarra e faz doer, a saudade que aperta e faz chorar e tantas outras coisas que te fazem duvidar da valia desta expedição dentro de si mesmo, mas a premissa que sustenta a validade disso tudo é única, a naturalidade da existência é o que diz mais e de maneira mais certa aquilo que se procura, o que é natural dispensa explicações e extirpa os velhos "chavões", simplesmente porque se faz existir sem força maior de uma escolha ou não, é simplesmente por ser, porque se fez assim, porque muita coisa vem guardada pra ser exposta com a maturidade da existência, com a claridade do saber que se faz ausente na criança e finda no adulto, que muitas vezes se esquece de fazer as grandes entradas e bandeiras da sua vida, quando 17 pontos são cravados no placar dessa grande jogada da existência.
Nesta idade não é raro procurar palavras que confortem a ausência de respostas, até porque não ser mais criança e ainda não ser completamente adulto não significa encontrar respostas mais rapidamente nem muito menos as respostas certas, filosofar nunca fará tanto sentido quando se completam 17 verões vividos.
Invariavelmente você vai olhar pro céu e querer saber quais são os mistérios guardados na coloração meio alaranjada, meio avermelhada, meio amarelada no azul azulado entre nuvens ao final da tarde, vai querer incessantemente descobrir onde tudo começa e onde tudo termina e se o início não é o fim e vice versa, logo você vai querer saber de onde as coisas vem e por consequência se vem de algum lugar o que as motiva a virem e portanto se vem, o que as trazem e as fazem existir, no fim você vai se perguntar sobre a criação e a existência de tudo.
Não raro você vai esbarrar na explicação de coisas que te ensinaram ao longo do tempo e que hoje te parecem incorretas, se tudo tem um começo, como já perguntou Chico Buarque, "quem inventou o analfabeto e ensinou o alfabeto ao professor?" e então você descobre que até hoje você só absorveu sem filtrar nada e que daqui pra frente você possui dezessete filtros, acumulados ao londe de dezesse anos, que vão lhe dar muito mais do que dezessete motivos para descartar muitas coisas, aceitar outras tantas e repensar mais algumas.
Aos 17 do segundo tempo também haverá de descobrir as próprias "descobertas", há de encontrar uma coisa complicada denominada "escolha". A vida te colocará numa nau que só depende de você, te fará navegar dentro de si mesmo, mostrando aquilo que não conhecia e que agora tem que conhecer, aquilo que sabia mas preferia inconscientemente esconder e que agora vai pra prateleira dos artigos importantes, pra sala das escolhas, onde você será acareado com um complicador chamado vulgarmente de "vontade", além do mais, o tempo inteiro enquanto a nau navega, sinais de fora serão lançados sobre ela feito ondas, dizendo exatamente o inverso do que naquele momento você descobre, o mundo lá fora continua quadrado, mas dentro de você muita coisa muda.
Com dezessete ciclos completos, as respostas se invertem, a urgência das perguntas se atenuam e as respostas podem ser mais complexas do que se pensava, no caminho ainda há o amor que esbarra e faz doer, a saudade que aperta e faz chorar e tantas outras coisas que te fazem duvidar da valia desta expedição dentro de si mesmo, mas a premissa que sustenta a validade disso tudo é única, a naturalidade da existência é o que diz mais e de maneira mais certa aquilo que se procura, o que é natural dispensa explicações e extirpa os velhos "chavões", simplesmente porque se faz existir sem força maior de uma escolha ou não, é simplesmente por ser, porque se fez assim, porque muita coisa vem guardada pra ser exposta com a maturidade da existência, com a claridade do saber que se faz ausente na criança e finda no adulto, que muitas vezes se esquece de fazer as grandes entradas e bandeiras da sua vida, quando 17 pontos são cravados no placar dessa grande jogada da existência.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
A criação e a Existência das Coisas.
"— Belo porque tem do novo
a surpresa e a alegria.
— Belo como a coisa nova
na prateleira então vazia.
— Como qualquer coisa nova
inaugurando o seu dia.
— Ou como um caderno novo
quando a gente o principia.
— E belo porque com o novo
todo velho contagia."
João Cabral de Melo Neto a surpresa e a alegria.
— Belo como a coisa nova
na prateleira então vazia.
— Como qualquer coisa nova
inaugurando o seu dia.
— Ou como um caderno novo
quando a gente o principia.
— E belo porque com o novo
todo velho contagia."
"Em tudo o que ultrapassa a rotina repetitiva, existe uma ínfima parcela de novidade e de processo criador humano. As bases da criação estão assentadas na faculdade de combinar o antigo e o novo."
Vygotsky
"Só no chão da poesia piso com alguma segurança."
Manuel Bandeira
“É difícil dizer o que é impossível, porque o sonho do ontem é a esperança de hoje e da realidade do amanhã.”
Robert H. Goddard
"Diz quem foi que fez o primeiro teto que o projeto não desmoronou
Quem foi esse pedreiro, esse arquiteto, e o valente primeiro morador
Diz quem foi que inventou o analfabeto e ensinou o alfabeto ao professor..."
Quem foi esse pedreiro, esse arquiteto, e o valente primeiro morador
Diz quem foi que inventou o analfabeto e ensinou o alfabeto ao professor..."
Chico Buarque de Holanda
“O senhor… mire, veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam, verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra montão.“
João Guimarães Rosa
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Esqueçam Tudo o que Escrevi
Foi pedindo pra esquecer que o mundo fez-me lembrar de tudo o que se foi, foi pedindo para deixar-se ir que a saudade me acordou mais cedo que o habitual e me colocou de frente para o espelho como quem confere a realidade da própria existência.
Desconfiando dissto tudo, percebo apenas que acordei por força maior da minha consciência, que recobrou de mim a pouca prática daquilo que teorizo, da contradição do que escrevo, da nulidade do que prego.
Esqueçam tudo o que escrevi, desconsiderem o amor que declarei e a saudade que senti.
Guardem apenas a poesia, a esperança e considerem que amanhã tudo vai surgir de novo, sem medo de ser contraditório.
Desconfiando dissto tudo, percebo apenas que acordei por força maior da minha consciência, que recobrou de mim a pouca prática daquilo que teorizo, da contradição do que escrevo, da nulidade do que prego.
Esqueçam tudo o que escrevi, desconsiderem o amor que declarei e a saudade que senti.
Guardem apenas a poesia, a esperança e considerem que amanhã tudo vai surgir de novo, sem medo de ser contraditório.
Deixe Estar
Deixe estar no campo das especulações as mais íntimas e talvez incômodas suspeitas de quem espia o mundo pela fresta da janela, ansiando pelo contemplar do sol um dia. Conserve assim, todos os palpites como quem tenta vencer por teimosia as dificuldades que encontra no caminho.
Deixe ser como é o modo espontâneo de entregar verdades aos novos amigos, como a criança imatura que segura o dedo de um adulto com a confiança de quem parece ter encontrado a mais segura verdade universal.
Faça permanecer intocada a orginalidade do agir em virtude de que a fisiologia filosófica do ser em si não necessariamente deve interferir na maneira morfologica de existir que cada um exibe, portanto deixe ser e deixe estar tal como se fez.
Reduza a perplexidade das descobertas e acalente o sonho da aceitação pessoal das mudanças, posto que a confluência da serenidade com a isenta compreensão da existência, refuta as tensões e traz a paz em foro ítimo, assim, deixe existir.
Minimize o clamor pelo alguém complementar, deixe ser e deixe estar sozinho como o destino bem me quis, esperando que o clarão da decisão abra o caminho e que eu assim o trilhe, sendo e vivendo tal como sempre desejei pacientemente.
Deixe ser como é o modo espontâneo de entregar verdades aos novos amigos, como a criança imatura que segura o dedo de um adulto com a confiança de quem parece ter encontrado a mais segura verdade universal.
Faça permanecer intocada a orginalidade do agir em virtude de que a fisiologia filosófica do ser em si não necessariamente deve interferir na maneira morfologica de existir que cada um exibe, portanto deixe ser e deixe estar tal como se fez.
Reduza a perplexidade das descobertas e acalente o sonho da aceitação pessoal das mudanças, posto que a confluência da serenidade com a isenta compreensão da existência, refuta as tensões e traz a paz em foro ítimo, assim, deixe existir.
Minimize o clamor pelo alguém complementar, deixe ser e deixe estar sozinho como o destino bem me quis, esperando que o clarão da decisão abra o caminho e que eu assim o trilhe, sendo e vivendo tal como sempre desejei pacientemente.
sábado, 12 de junho de 2010
Quieto, solitário e cheio de dúvidas.
Não te conheço e não sei quem tu és, nunca ouvi tua voz nem sei o seu nome, não olhei nos teus olhos nem toquei suas mãos, mas tudo em você se faz notável aos meus olhos.
Guardo comigo a brevidade da sensação de que tua face não me é desconhecida, que talvez a tenha visto numa dessas tortuosas ruas dessa cidade que nada tens pra oferecer aos dispersos que se querem unir, logo, não sei quem és tu, ao menos ainda, não sei nem mesmo o que pensa, quanto mais o que deseja e o que anseia pra si.
Teu nome me é ainda desconhecido, até porque talvez só de vista eu lhe conheça e também porque nem palavras trocamos nós anteriormente, teus olhos negros inquietos e misteriosos se movimentam como uma voz que clama sem se ouvir neste rosto quase angelical, por vezes ingênuo e sorrateiramente diabólico, que guarda em caricatura de criança as mais prováveis e ferozes vontades de alguém que chega à madureza com pouco experiência do que é o amor e do que são as aventuras de amar. Tuas mãos se apertam o tempo inteiro confirmando o que seus traços tímidos e desafiadores denunciam em cada olhar, o nervosismo esasperado contido em si se faz externado a cada vez que comprime uma mão contra a outra, suspirando na sequência como quem ainda aguarda o resultado de uma espera aparentemente interminável pelo desconhecido.
O teu silêncio é mais instigante do que qualquer uma das minhas dez mil palavras por segundo e o teu raro e motivado sorriso vale mais do que todos os meus risos por amenidades dados repetidas vezes por minuto sem nenhuma beleza poética, sem nenhuma estética literária, sem nenhuma razão de ser. Pescar um sorriso no teu lábio é mais valioso do que encontrar o tesouro perdido no deserto, porque a luminosidade dos teus risos são tão sinseros e límpidos quanto as gotas de chuva que caem do céu e caminham diretamente de encontro ao mar pra tornar-se imensidão.
Teu ar por vezes assustado me aperta o coração que te queria perto, mas que até se satisfaz por te ter com alguns metros de distância pra poder contemplar cada reação sua aos estímulos que recebe dos que te cercam. A tua solidão no seu sempre marcado e rotineiro assento me sugere que mais dia menos dia poderia eu tentar a sorte de te dizer bom dia e te convidar pra almoçar comigo, pra trocar a timidez por palavras ao vento, pra colocar mais sorrisos no rosto, sendo estes melhores se fossem destinados a mim.
Observo cada passo seu porque admiro, porque valorizo teus pequenos gestos e porque eu talvez goste de você em silêncio, talvez pelo jeito compenetrado que exibe, talvez pelos mistérios dos teus olhos negros, que ainda não consegui fisgar junto aos meus verdes olhos, escondam, talvez porque o teu chegar e o teu partir sejam ainda pra mim desconhecidos e talvez porque ainda que pequena esta cidade, só te pude ver hoje no almoço, desfrutando da solidão quando poderia estar eu exatamente alí, te fazendo sorrir sem ter receios como te vejo fazer naqueles momentos em que você esboça solidão somente com seus olhos, com seus gestos, com o apertar das mãos e com o suspiro que mesmo sutil ainda me provoca os ouvidos e me faz fitar-lhe com a apreensão de quem ama e zela por ti em silêncio.
Guardo comigo a brevidade da sensação de que tua face não me é desconhecida, que talvez a tenha visto numa dessas tortuosas ruas dessa cidade que nada tens pra oferecer aos dispersos que se querem unir, logo, não sei quem és tu, ao menos ainda, não sei nem mesmo o que pensa, quanto mais o que deseja e o que anseia pra si.
Teu nome me é ainda desconhecido, até porque talvez só de vista eu lhe conheça e também porque nem palavras trocamos nós anteriormente, teus olhos negros inquietos e misteriosos se movimentam como uma voz que clama sem se ouvir neste rosto quase angelical, por vezes ingênuo e sorrateiramente diabólico, que guarda em caricatura de criança as mais prováveis e ferozes vontades de alguém que chega à madureza com pouco experiência do que é o amor e do que são as aventuras de amar. Tuas mãos se apertam o tempo inteiro confirmando o que seus traços tímidos e desafiadores denunciam em cada olhar, o nervosismo esasperado contido em si se faz externado a cada vez que comprime uma mão contra a outra, suspirando na sequência como quem ainda aguarda o resultado de uma espera aparentemente interminável pelo desconhecido.
O teu silêncio é mais instigante do que qualquer uma das minhas dez mil palavras por segundo e o teu raro e motivado sorriso vale mais do que todos os meus risos por amenidades dados repetidas vezes por minuto sem nenhuma beleza poética, sem nenhuma estética literária, sem nenhuma razão de ser. Pescar um sorriso no teu lábio é mais valioso do que encontrar o tesouro perdido no deserto, porque a luminosidade dos teus risos são tão sinseros e límpidos quanto as gotas de chuva que caem do céu e caminham diretamente de encontro ao mar pra tornar-se imensidão.
Teu ar por vezes assustado me aperta o coração que te queria perto, mas que até se satisfaz por te ter com alguns metros de distância pra poder contemplar cada reação sua aos estímulos que recebe dos que te cercam. A tua solidão no seu sempre marcado e rotineiro assento me sugere que mais dia menos dia poderia eu tentar a sorte de te dizer bom dia e te convidar pra almoçar comigo, pra trocar a timidez por palavras ao vento, pra colocar mais sorrisos no rosto, sendo estes melhores se fossem destinados a mim.
Observo cada passo seu porque admiro, porque valorizo teus pequenos gestos e porque eu talvez goste de você em silêncio, talvez pelo jeito compenetrado que exibe, talvez pelos mistérios dos teus olhos negros, que ainda não consegui fisgar junto aos meus verdes olhos, escondam, talvez porque o teu chegar e o teu partir sejam ainda pra mim desconhecidos e talvez porque ainda que pequena esta cidade, só te pude ver hoje no almoço, desfrutando da solidão quando poderia estar eu exatamente alí, te fazendo sorrir sem ter receios como te vejo fazer naqueles momentos em que você esboça solidão somente com seus olhos, com seus gestos, com o apertar das mãos e com o suspiro que mesmo sutil ainda me provoca os ouvidos e me faz fitar-lhe com a apreensão de quem ama e zela por ti em silêncio.
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